Aquilo que move o homem, fisicamente, intelectualmente – o egoísmo! É tudo aquilo que se assemelha ao animalesco, é grotesco. É o motor fundamental. O egoísmo humano é algo que transcende e une o âmago e a essência dos meros mortais.
O egoísmo humano é quase como o ar que respiramos, ele está em todas as instâncias de nossa existência, como o filho único, tal como eu, que não sente necessidade de partilhar nada e nem se dá ao luxo de tentar, por não ver lógica nisso - o tudo p’ra mim é o nada para os outros, tudo p’ra mim e nada para os outros - ou como um "casal de namorados ao sol, com a garganta seca", quase em tom delirante, o ciúme doentio, mesmo se “doando” mais do que se tem a receber, exclusivamente ao ser amado, lançando o resto do mundo a esmo se for preciso, ou também, quem sabe no ser depressivo e anti-social, já acostumado a apatia e não abre mão de sua tristeza quase que embalsamada por achar que sem ela não poderá sobreviver e não se relaciona com ninguém, prefere se enclausurar em si a perder-se em outros. Nosso egoísmo é infinito.
Não há como escapar, estamos à mercê da natureza humana por sermos como tal e eu não abro mão disso e que minha essência cruze o Aqueronte comigo, eu não sei sobre os outros, se isso for um pecado imperdoável.
Qual o problema? E você, hipócrita leitor, não tem o direito de se opor ao meu ímpeto exacerbado, demasiado egoísta, você também é igual a mim! Quer conservar em sua existência tudo o que estiver ao seu alcance, se livrar das dores, da falta, da privação, quer deleitar-se de si mesmo e obter a maior quantidade possível de bem-estar e prazer que for capaz.
O egoísmo rege o mundo desde tempos mitológicos e ao que me parece não pretende abandoná-lo, e é ele próprio o centro do mundo onde fazemos existir os nossos, ele está no âmago da consciência e na essência da alma e disso eu não abro mão. E não venha me julgar, eu não sou o único!
Mm.
