terça-feira, 20 de novembro de 2012

Deep Red


Ela se faz linda
Num vermelho profundo
 Cabelo, boca, a tez, e o sorriso.
Tudo aquilo que esses olhos retêm
E que a boca guarda e aguarda.

Uma doçura, estonteante,
Num falar que entorpece
O corpo – carne, osso e coração –
E a alma – em ascendência –
Transcendência e imanência.

Tal qual o cheiro, o afago,
Abraço, beijo, toque
E tudo aquilo que jaz
Numa timidez sublime, serena.
Encanta-me plenamente.

Intencionalidade?!
Quem sabe...?
Fatalidade?!
Bem pouco eu sei...
Mas assim ela se faz, em sincronia...
O falar, o porta-se, o vestir-se
O olhar-me...
Dentre todas as formas.

Enquanto este encorajado coração
Resiste, insiste, apanha e bate
Extasiado eu vejo
Que ela se faz linda
Num vermelho escarlate.
Mm.

domingo, 11 de novembro de 2012

Doce fragrância


A Augusto dos Anjos.

Amargura-te homem maldito
E, entretanto, sorris.
És o mais feio dentre os bonitos.
Beba tudo o que te faz infeliz.

Em suas danações sexuais,
Que ferozmente te arrebatam, ó homem,
Nasce uma fome ávida e voraz
Que de dentro pra fora lhe rasga o abdômen.

Isso é o amor, que lhe apodrece
E o reduz ao último feixe de matéria.
E dado o pecado ao tempo - o que fenece -,
Por verdes pastos lhe conduz à miséria

Dentre seus iguais, gere a carnificina
Convertendo-se em simples carne decomposta,
Certamente enterrando no húmus da ruína
Um corpo dilacerado em fratura exposta.

Perdendo nos olhos órbitas perpendiculares
Com um desespero que lhe rói os ossos,
Revira uma a uma suas pedras tumulares
Estragando todas as suas partículas sem remorso.

Pois tudo o que lhe resta é paisagem de osso e pêlo
E nada mais! Nem mesmo a eterna ânsia,
E os vermes, sedentos, hão de puxar-lhe pelos cabelos
Desejando seu odor de cadáver: ó doce fragrância.

Mm.