segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Labirinto do Minotauro



                                                    A mente humana
Como o Minotauro em seu labirinto
Na obscuridade, controlada pelo instinto
          Que até o divino, profana

                  Como o Minotauro em seu labirinto
                                                      Que destrói toda a virtude e beleza
Para saciar os desejos de sua natureza
           Esta é a mente humana em paixão e instinto

De onde vem a dor
                                                    Ou a amargura que habita aqui?
             E pensar que o coração pensa por ti!

      De onde vem o egoísmo do amor?
        É o medo e a loucura e a glória e a depressão!
              Resquícios humanos assombrados pela solidão.

Mm.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Semper Eadem

Hoje eu acordei querendo encrenca, definitivamente. Eu realmente queria, mas com o passar do tempo algo me trouxe um desânimo e isso me lembrou muito as últimas vezes que te vi, e apenas vi. Via um tédio doentio, sempre a mesma apatia que muito me preocupava e eu sentia que se me aproximasse muito, também seria puxado p’ra baixo e isso eu não queria embora ache que esse foi o tédio que me levou essa vontade de encrenca matinal, please, don’t let me down!

E me deparei com certas recordações que nem sei por que, mas acredito que já que somos hipócritas influenciáveis, sem exercer minha doce ironia, acho que podemos nos entender, mas veja bem... Eu apenas acho. Lembrei que em você há uma preocupação que p’ra mim é incabível... Deve ser egoísmo... Se bem que eu, no auge do meu egoísmo de filho único – sou a pessoa mais egoísta que eu conheço e realmente, verdadeiramente eu me conheço – não consigo entender esse teu sentimento, essa sua cisma de achar que pode atrair todo o ruim p’ra si, de achar que todas as inquietações alheias são por sua causa e sendo assim torna-se alvo fácil de críticas e agressões alheias, de achar que sofrer é amar demais... Diz-me, assim está em paz...? Até mesmo de mim, minha cara “irmã”? Achar que eu possa ser tão frio com você meu bem, a ponto de atormenta-lhe a mente? Não creio!

Insignificante é p’ra mim essa sua “crença” de ser o centro de tudo e principalmente dos males dos outros, como uma caixa de Pandora, há há há ... Você não é... você não é o centro do meu mundo, você não pode me ferir!

Não consigo entender essa sua maneira de pensar e dialogar desesperadamente embasada em hipóteses... É, acho que precisamos conversar... Isso deve ser saudade... Minha “irmã” de mente doentia, apesar de tanta semelhança – como um caro amigo, certo dia falou embora ainda não tenha me apresentado evidências para provar o tal – dedico a você essas linhas de apatia, apenas p’ra você não perder o costume apático... Fique bem.

Mm.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Hipocrisia hipocondríaca


Não é por educação que você pergunta: “Oi, como você ta? Tava com saudade de ti!” a mim, uma pessoa com quem você verdadeiramente não se importa, e que não lhe passa nem por sombra no pensamento a menos que você me veja e depois passe a falar mal, longe de mim é claro, sem procurar saber como me comporto ou sobre o meu caráter, como se eu fosse um estranho mesmo nos conhecendo há algum tempo. É hipocrisia!

Não é por falta de opção que você, sempre chega e me abraça e sorri e sempre pergunta: “[...]” – aquele blá blá blá tão comum! -, embora nesse abraço não se encontre o conforto – não, eu não encontro -, nesse sorriso não haja sinceridade – eu vejo que não há – e nas perguntas, não tenha a preocupação nem a educação – eu sei que não tem! -. Já não sou ingênuo ao seu cinismo. Isso é hipocrisia, doentia.

Se eu tivesse um cão, com certeza o sentimento dele por mim seria verdadeiro, pois seu afeto, assim como o de qualquer cão por seu “dono” é incondicional – como se fossem verdadeiros amigos -, é sem pensar, literalmente. Mas o humano, como pode pensar acha que pode iludir o outro, você não, não a mim, não mais. O seu sorriso nem num cão me reclinaria. Você não pode me iludir, não mais.

Você não é obrigada a sorrir sempre que me vê porque eu não preciso disso, vou treinar minha indiferença, é melhor! Você não é obrigada a sorrir p’ra quem pouco lhe importa. Não há necessidade de tal perda de tempo mas se isso lhe faz bem, lhe fortalece o ego ou lhe dá a sensação de sempre estar por cima de situações das quais você sabe não estar, então siga sempre sorrindo. Você não pode me ferir!

Mm.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Perfeição?

Quanto vale a perfeição?

O “ser” perfeito, almejado por tantos de nós, que fariam do possível ou até, quem sabe, o impossível para ser como tal. Por quê? Pelo gosto de viver sem falhar? O que seria isso? A perfeição é algo que está além da compreensão humana e que o ser humano insiste em tentar compreender e alcançar, assim como os deuses, ditos perfeitos.

Mas será que vale a pena? Qual seria o preço? De fato, viver sem falhas é algo que, por estar além do humano, torna-se impalpável, mas quem sabe chegar ao ápice da existência e da compreensão não seja bom, não é? Ser onisciente! O máximo. Viver no limite e saber que não é mais possível evoluir por já estar em plenitude para com o todo, ah... isso sim! Esta é a meta! Ser perfeito, não se preocupar com erros grotescos e não ser superado, ser o número um!

Contudo, não ser superado tornar-se-á algo tão trivial, ser o melhor em tudo, jamais perder. Então que gosto teria a vitória, a superação, a realização de objetivos e sonhos tidos com tanta fé? O mesmo da água, ó, algo tão essencial para a vida. Não! Prefiro algo mais amargo!

Se tornar-se perfeito requer que eu abra mão das lutas que me fazem crescer – para não mais errar e conseguir tudo o que quero com facilidade inigualável e tantos outros benefícios que nós humanos tanto queremos – prefiro viver embriagado ao seio dessa imperfeição que me inclina a buscar a superação de mim mesmo nessa pobre existência, que nada mais é que uma dádiva fatal.
Mm.


domingo, 2 de janeiro de 2011

Orfeu e Eurídice


Criei um eu-lírico seu
Que encanta meu pensamento
Entretanto os seus olhos frios
Mostram seu calor por um momento;

E me deslumbra, meu bem,
Toda a ausência de emoção
As folhas dessa árvore já secaram
E foram arrastadas p’ra esse furacão;

Você pode ser a pilastra do templo
E a estrutura ser inabalável
Mas a beleza do templo está no jardim
E p’ra você essa beleza é indecifrável.

As flores regadas mostram exuberância
Mas quando mortas, exalam torpor.
Não se pode dar vida ao que está morto
Nem mesmo ao sol se pôr.
Mm.

Rasgarei a minha face


Rasgarei minha face
De lado a lado
Com um bisturi enferrujado
Para abrir um sorriso para você
Será lindo e deformado
Meu sorriso forçado
A mercê
Dos sapos alados
Das galinhas papudas
Dos ratos enojados
Que chafurdam no lixo
Ditados
Ditados
Sorrisos forçados
Marcados
Abertas crateras
Em peitos nus
São feitos por vós
Como nós
Sorriso macabro
Preciso mostrar
Como o teu, alegre deve ser
Como se alegre eu fosse
Hipocrisia
Hipocrisia
À frente do mundo
Avante.

N'Assombra


Na sombra dos tecidos
Que mais parecem pétalas
Vendo as nuvens passar
Com a força do vento;
Andando sob o sol
Sinto minha pelo queimar.

Na sombra das árvores
Conversas paralelas
Que não consigo lembrar
Com tantas despedidas
E perguntas sem respostas
Que melodias fazem chorar.

Na sombra dos teus lábios
Vão as frases impulsivas
Destruindo as construções
Das imagens que são feitas
Apenas pelo bel-prazer
De colecionar corações.
Mm.