sábado, 3 de agosto de 2013

Antares

     
     Teu suor ainda está aqui, e junto a ele um desejo imensurável de te ter novamente aonde meus olhos possam te ver, onde meus braços possam te envolver. Teu beijo parece atravessar minh’alma e teu toque remove das órbitas meus olhos, enquanto eles buscam pela intensidade dos teus, castanhos, vívidos, brilhantes, como se estivessem repletos da energia desta lua que ilumina minha véspera de primavera.

     Meu espírito se regozija em esplendor enquanto a alma explode em fulgor e calor tal como Antares, a mais brilhante dentre todas em seu âmago estelar. Teu veneno, lento e envolvente, me inclina a um entorpecimento, uma dormência que me deixa vulnerável ao estático, como se estivesse pairando no universo. Essa dormência é também orgasmo! Tu destilas teu gozo sobre meu corpo devidamente armado, porém desprotegido e despido de pudores banais, propositalmente, doce Escorpião, levando-me à catarse.

     O Universo nos convém. Tal proximidade não se fez lançada a esmo. Desde o batismo das estrelas o teu colo me é familiar, afinal, assim como tu, eu também venho da água. Água corrente, límpida, intensa, como a paixão mais pura e arrebatadora de que se tem notícia. O mar também é nossa alma e nós somos o encontro das águas. E como o profundo abraço entre o Negro e o Solimões – um romance naturalmente invejável – sinto-me Amazonas junto a ti.

                              PS: O teu bem me convém, meu bem.

Mm.
Manaus, Jun. 23, 2013.