quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Queria poder dormir


Eu queria poder sumir
Não fazer mal a ninguém
Eu realmente nunca quis
Contra toda essa dor
Não existe desapego

Eu, que só sei insistir
Não enxergo mais alguém
Gosto quando sorris
Eu me lembro do amor
Mas não vejo ninguém, cego.

Talvez eu perturbasse menos
Se fosse um ser de imaginar
Mas sou de carne o osso
Mesmo na ânsia de evaporar

Eu queria poder dormir
Mas a noite é demorada
Durmo por cansaço
Quando meus olhos fundos
Não agüentam mais chorar

Eu queria poder sorrir
Mas minha boca é amarelada
Sinto-me inerte nesse espaço
Vago com um ser moribundo
Que morre de tanto sangrar.
Mm.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os pássaros


Vê aquele ser,
Muitas vezes tido como insignificante,
Repousando no fio?
Ali mora um grande perigo
Entretanto tal perigo ele desconhece.

Queria ser como ele
Não ter consciência
Agir por instinto, sem ferir ninguém
E quem sabe, em algumas ocasiões,
Ser até admirado:
– “Nossa! Ele pode voar, é livre
            Eu bem que queria, eu poderia
            Não posso!”

E depois voar, sem ser notado
Ou sendo admirado
E não ter quem sentisse minha falta
Assim como o pássaro
Que acabei de ver.

Quem sente a falta dele?
Algo o fez livre
Ele não precisa, realmente
Ter quem sinta sua falta.

Eu bem que queria
Estar aqui ou ali
Da forma que me conviesse
Sem ser percebido ou dado falta.
Querer não é poder.

Mas um dia desses eu saio
Saio pra voar, pelo caminho mais belo
Assim como meus queridos e adorados,
Os pássaros, almejando ser como tal.

É, um dia desses eu saio pra voar
Está decidido
E dessa vez não sei se vou voltar.

Desde já, deixo um cordial adeus,
Um abraço apertado,
Um beijo apaixonado,
Já que não sou um pássaro
Que se despede sem nada dizer.

Adeus e obrigado
Por tudo, fique bem.
Mm.