Alegria no conta-gotas e esperança num
último gole, pra matar de sede o ego da reação. Meu coração, engarrafado, não
rende a safra do mais comum dos vinhos. Bem provável que, como disse o
poeta, meu coração seja mais um bombom estragado. Mas mais do que isso, solidão
reivindica seu domínio ante a solitude desnutrida que se esvai no mais
raquítico dos suspiros. Esse amor tem pele seca, rugas e cicatrizes.
A batida orgânica é perecível e, no mais,
perece junto à prece que a paralisia do músculo, já atrofiado, insiste e suplica.
E o que me sobra ser além desta falência múltipla dos sentidos sentimentos? O
suspiro que se toma antes do último mergulho, a melhora que vem antes da morte.
Mm.
Dec. 03, 2014.




