domingo, 22 de junho de 2014

Ocaso



Uma dose de cada inferno
Para machucar um coração

Cada dose de uma certeza
Firmando a desconstrução

O teu olhar me amedronta
Quando desvio da atenção

E o teu sorriso me quebra
Deixando pedaços no chão.


Não lembro o que fazer quando isso acabar...


É que o toque das tuas mãos
Abre um buraco em meu peito

O teu abraço pode sufocar:
Meu corpo respira imperfeito

Que outra dose de alguma certeza
É o silêncio do que foi desfeito

Mais uma dose de cada inferno
Bebo, me esqueço e rejeito.


Não lembro o que fazer quando isso acabar
Eu vou ficar pra ver o Sol fugir do luar.


Mm.
Jun. 21, 2014.

sábado, 21 de junho de 2014

Azul-final-de-tarde



Tão simples como perder-me no céu azul infinito
É olhar, profundo, no castanho dos teus olhos,
Enquanto eles me invadem corpo e espírito.

Tal brasa do Sol que queima este azul-final-de-tarde
Sinto meu peito rasgado em chamas enquanto, tímido,
Coloco-o junto ao teu rejeitando mero alarde.

Sinto em minha boca a alegria d’um esboço impreciso
Que junto ao olhar da Lua torna-se exato e bonito
Ao encontrar na tua boca o abrigo ao sorriso.

Este coração não me cabe – bate frente ao cansaço –
Mas apazigua ao descobrir-se em sintonia ao teu
No preciso momento em que se dá espaço ao abraço.

Ante o fulgor deste enlace explode sublime o lampejo
E são infindos, como estrelas, carne, osso e coração
Quando entregam de bom grado o desejo ao beijo.


Mm.
Jun. 10, 2014.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Das tripas coração


Contemplação. Não há nada de extraordinário
No torto caminho farpado em que eu sigo,
Porém este mero bater do coração tortura
Desconstruindo por acaso este mero imaginário.

O engasgo que me aperta o peito angustia
E, dilacerando-me, arranca meus pulmões,
Reivindicando para si o fôlego que não tenho
Quando busco n’outro peito uma dose de empatia.

Configura-se inebriante e destrutivo
Cada trago de silêncio que tomo de bom grado
E que me desce rasgando tal cachaça velha.
(Mas para as cicatrizes desse corpo é inofensivo).

Busco agora, e onde estão sentimento e razão?
Aprecio o estrago do buraco em meu peito
E converto, deformado, nesse espaço o cansaço
Do olhar pesado, fazendo das tripas coração.

Mm.
Jun. 5, 2014.