sábado, 19 de abril de 2014

Aleatoriamente poéticos



I

Quando eu digo que ela não entendeu meu medo
e me desprezou dizendo “eu te amo”.
Mas que é o amor, afinal de contas?

Versos incompletos,
medos incompreendidos,
olhar doente,
coração hipocondríaco.

Trago comigo meu jazigo
que no conforto de um lar
configura-se como meu melhor amigo
[desde o umbigo]

Que dentre todas as minhas mortes
encontro o leito do meu eterno sono
sempre em mim.
E me mato cada dia um pouco
[em decibéis roucos]:

Nuns tragos de pinga e cigarro,
ou mesmo aqueles amores loucos,
na imensidão da fala hesitada
[do mesmo verso incompleto]
e, quem sabe, na eterna ânsia de ser poeta.


II

No alto da mente, emancipada,
compreendo a minha finitude
[no incontável das estrelas, dentre anos-luz].

Nessa soberba, liberto, contemplo o Universo,
e no [seu] apogeu noto que me é indiferente.
Reles poeira, delirante, ardente, febril,
escondo-me no canto de uma estrela.

Vão sempre temer o desconhecido,
Raros os que terão o afago de Lilith
[contemplar ao outro rosto da Lua].
Perceba a ação... Percepção!

[Medo é filho de Dúvida e Certeza]
O momento em que ainda não é noite
Mas já não é mais dia.



Mm.
Mar. 15, 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

Simulacro


Não se iluda com a miséria que contempla os meus versos
A poesia encobre muito mais que este raquítico universo.
Não se engane com o amor que flui desta mente alucinada
Como disse o poeta: ”O ódio é uma emoção subestimada”.

Não se engane com a armação torta dos meus dentes
Q’eu sou muito menos que um belo sorriso proeminente.
E nem se iluda com qualquer esboço de abraço
Que é neste espaço que carrego todo meu cansaço.

Não se engane com o calor do meu sol canceriano
Que o amor nem sempre sobrevive à quentura do cotidiano.
Não se iluda que a frieza no meu ascendente não é à toa
Q’eu sou minha capacidade bruta de magoar pessoas.



Mm.
Mar. 23, 2014