Anestesiado.
Isto beira a inércia, que mesmo assim não me traz a certeza se, esta inclinação
que se esboça, é para o bem ou para o mal. Outrora já dito, tudo de sua voz traz-me
a dormência que se deixa quebrar ao contemplar, estático, seu largo sorriso, que
me faz em pedaços.Uma crise de existência, uma mudança de freqüência e até
mesmo uma longa abstinência tornam-se ineficazes ante um rio de águas e mágoas,
e pudores e amores, que insiste em manter-se transbordando.
Para crise existencial já não há tempo, pois isto ficou para traz e bem antes das vinte e duas primaveras que aqui encontro. A mudança de freqüência é tão apática que já não se faz interessante — e isto põe em foco as inúmeras falas de poetas um tanto inconseqüentes que, agora, permeiam minha mente.
Abstinência, isto é certo, mas é como um veneno que rapidamente encontra um antídoto e, tantas vezes, é como um antídoto que se faz refém de um veneno destilado em minúcias, mas com uma cautela abissalmente encantante. É quando, por dias, não vejo o sol tocar a sua pele — angustiado como o mero mortal que jamais consegue contemplar a magnitude do astro rei com olhos nus — e notar o realce castanho dos seus olhos, que acompanham as tempestades e chuvas tão singelas e comuns nos tempos tais.
Para crise existencial já não há tempo, pois isto ficou para traz e bem antes das vinte e duas primaveras que aqui encontro. A mudança de freqüência é tão apática que já não se faz interessante — e isto põe em foco as inúmeras falas de poetas um tanto inconseqüentes que, agora, permeiam minha mente.
Abstinência, isto é certo, mas é como um veneno que rapidamente encontra um antídoto e, tantas vezes, é como um antídoto que se faz refém de um veneno destilado em minúcias, mas com uma cautela abissalmente encantante. É quando, por dias, não vejo o sol tocar a sua pele — angustiado como o mero mortal que jamais consegue contemplar a magnitude do astro rei com olhos nus — e notar o realce castanho dos seus olhos, que acompanham as tempestades e chuvas tão singelas e comuns nos tempos tais.
Nuvens estáticas, e nem as árvores se
movem. Enquanto isso o aguardo, muito embora não se saiba exatamente o que.
Nebulosas de fumaça pairam no ar e se contorcem num balé astral encantador.
A cabeça gira, ainda encantada. Este
veneno, que acomete meu corpo a uma dormência formidável, é como cura para uma
doença. Câncer, em simples projeção astral, e que sobrepuja o mais puro desejo
carnal, despido de pecado, mascarado num derradeiro baile de carnaval.
E depois tudo é silêncio, e antes do fim.
Num escarcéu de pele, pêlo, dor e orgasmo, abruptamente quebrado num mero
espasmo, lapso de razão, e memória e tesão. Tudo o que resta é o aguardo e uma
ânsia que reina com a pompa do mais ilustre monarca, fazendo de mim, pobre
mortal, leito aconchegante, a espera do outro, que não se sabe ao certo quem ou
o quê, e se também aguarda. Reciprocidade é o que não há e por muito se
desconhece.
Mm.
Manaus,
Jan. 14, 2013.
