(12/6, hoje faz um ano).
Hoje, após uma
longa abstinência, a dor voltou a me visitar. Discreta, ela surgiu, por entre
as páginas de um livro empoeirado, há muito não tocado e por pouco, esquecido.
Estava lá, dobrada ao meio, o que ainda me seduz: memória! E que jaz no meu
peito, tal qual o aperto do cinto de certo tempo atrás. Entretanto essa dor
consome e queima ainda mais, vai além do que a alma suporta, e ainda sim,
suporta. Um "Eu te Amo" inconfundível, agora confuso, e os corações,
são três, interligados e sobressalentes ao papel, vermelhos já desbotados,
trouxeram de volta a dor e uma antiga companheira: a tristeza de tantos
momentos, e ligeiramente agradável aos meus olhos, porém, não mais benquista
por estas bandas.
Novamente o
vazio se fez presente, e nem a cheia dos rios
e a densa chuva de quase um dia inteiro foram suficientes para preencher
essa lacuna que insiste em
persistir. Nem a esperança de brilho, de um sol tímido por
entre as nuvens, nem um angustiante sereno acompanhado de sons disformes, nem
as companhias em que sempre encontro conforto, bem como a noite, tranqüila e
absoluta, foram suficientes para suprir a necessidade gritante de bem-estar que
eu possuo e que perdura ao meu encalço. Estive só, e assim permaneço, por hoje,
e eventualmente por futuros amanhãs, na minha memória, que me maltrata mas me
acalenta, me desespera e me faz confiante, me seduz e me cospe.
Lá, permaneço
só, já que a presença mais importante para as memórias que eu carrego, hoje
insiste em se fazer ausente e assim permanecer. Talvez tenha um bom motivo
hoje, mas só por hoje. Amanhã é outro dia e nele caberá outro motivo.
Dói, mas o
corpo agüenta, a alma suporta, mesmo feita angustiada. E a noite segue
tranqüila, pelos anseios do amanhã.
Mm.
