terça-feira, 12 de junho de 2012

Só por hoje

(12/6, hoje faz um ano).


Hoje, após uma longa abstinência, a dor voltou a me visitar. Discreta, ela surgiu, por entre as páginas de um livro empoeirado, há muito não tocado e por pouco, esquecido. Estava lá, dobrada ao meio, o que ainda me seduz: memória! E que jaz no meu peito, tal qual o aperto do cinto de certo tempo atrás. Entretanto essa dor consome e queima ainda mais, vai além do que a alma suporta, e ainda sim, suporta. Um "Eu te Amo" inconfundível, agora confuso, e os corações, são três, interligados e sobressalentes ao papel, vermelhos já desbotados, trouxeram de volta a dor e uma antiga companheira: a tristeza de tantos momentos, e ligeiramente agradável aos meus olhos, porém, não mais benquista por estas bandas.

Novamente o vazio se fez presente, e nem a cheia dos rios  e a densa chuva de quase um dia inteiro foram suficientes para preencher essa lacuna que insiste em persistir. Nem a esperança de brilho, de um sol tímido por entre as nuvens, nem um angustiante sereno acompanhado de sons disformes, nem as companhias em que sempre encontro conforto, bem como a noite, tranqüila e absoluta, foram suficientes para suprir a necessidade gritante de bem-estar que eu possuo e que perdura ao meu encalço. Estive só, e assim permaneço, por hoje, e eventualmente por futuros amanhãs, na minha memória, que me maltrata mas me acalenta, me desespera e me faz confiante, me seduz e me cospe.

Lá, permaneço só, já que a presença mais importante para as memórias que eu carrego, hoje insiste em se fazer ausente e assim permanecer. Talvez tenha um bom motivo hoje, mas só por hoje. Amanhã é outro dia e nele caberá outro motivo.

Dói, mas o corpo agüenta, a alma suporta, mesmo feita angustiada. E a noite segue tranqüila, pelos anseios do amanhã.
Mm.

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