Teu
suor ainda está aqui, e junto a ele um desejo imensurável de te ter novamente
aonde meus olhos possam te ver, onde meus braços possam te envolver. Teu beijo
parece atravessar minh’alma e teu toque remove das órbitas meus olhos, enquanto
eles buscam pela intensidade dos teus, castanhos, vívidos, brilhantes, como se
estivessem repletos da energia desta lua que ilumina minha véspera de
primavera.
Meu espírito se regozija em esplendor
enquanto a alma explode em fulgor e calor tal como Antares, a mais brilhante dentre
todas em seu âmago estelar. Teu veneno, lento e envolvente, me inclina a um
entorpecimento, uma dormência que me deixa vulnerável ao estático, como se
estivesse pairando no universo. Essa dormência é também orgasmo! Tu destilas
teu gozo sobre meu corpo devidamente armado, porém desprotegido e despido de
pudores banais, propositalmente, doce Escorpião, levando-me à catarse.
O Universo nos convém. Tal proximidade não se fez lançada a esmo. Desde o batismo das estrelas o teu colo me é familiar, afinal, assim como tu, eu também venho da água. Água corrente, límpida, intensa, como a paixão mais pura e arrebatadora de que se tem notícia. O mar também é nossa alma e nós somos o encontro das águas. E como o profundo abraço entre o Negro e o Solimões – um romance naturalmente invejável – sinto-me Amazonas junto a ti.
PS: O teu bem me convém, meu
bem.
Mm.
Manaus, Jun. 23, 2013.
Manaus, Jun. 23, 2013.

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