quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O palhaço


Quanto custa um sorriso
Pra descansar as tristezas
Da vida que carregamos
Em ombros cansados
Para olhares desolados?
Sorriso a tudo transforma
Algo camuflado
Infeliz, desatinado
Em face metálica
Teu rir é estampado.

Naturalmente te forço
Mesmo que isso não queira
Embora, apenas talvez
Também tu não queiras
Fazer de alento
Sorriso amarelado

Comumente me forço
Quando não, sou forçado
Escondo-me em face borrada
Aquilo que não quero mostrar
E que não posso mostrar
E não me deixam mostrar.

Já que não posso fazer
E fazer somente o que quero
Não é fácil de fato esconder
Nossas tristezas
E distribuir sorrisos
Mesmo sorrindo demais
Já não me desespero.

Acostumei-me com isso:
Não viver como quero
Como o rato
A comer o queijo
Como o gato
A devorar o rato
Com um sorriso
Sólido como aço
Já não faço o que eu quero...
Eu, palhaço.

Mm.

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