sábado, 6 de abril de 2013

O rapaz e o cão



É a cara inchada de sono
Que ele vê naquele espelho,
No escurecer de mais um outono,
Dali não surge nenhum conselho.
Mas sente que o dia está lhe esperando
E ele se veste e corre à padaria
O cachorro o segue com o rabo abanando:
Latidos ecoam em grande euforia.

Só depois ele percebe
Que não há razão para correr
Nenhum sorriso ele recebe
N’um outono a escurecer.
Bem na volta lhe tomam de assalto
Cercado, não tem aonde ir,
Numa armadilha concreta de asfalto
Olham e passam sem ninguém sorrir.

Dali em diante retorna ao lar
Escoltado por um amigo a latir
E se contenta com um simples olhar
Temeroso do direito de ir e vir.
Já na cozinha, fita seu amigo cão
Uma xícara de café, um pão torrado.
Desejando açúcar, adoçante ou emoção
Mas não consegue morder o próprio rabo.

Mm.
Manaus, Mar. 31, 2013.

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