É a cara inchada de
sono
Que ele vê naquele espelho,
No escurecer de mais um outono,
No escurecer de mais um outono,
Dali não surge
nenhum conselho.
Mas sente que o dia está lhe esperando
Mas sente que o dia está lhe esperando
E ele se veste e
corre à padaria
O cachorro o segue com o rabo abanando:
O cachorro o segue com o rabo abanando:
Latidos ecoam em
grande euforia.
Só depois ele
percebe
Que não há razão
para correr
Nenhum sorriso ele
recebe
N’um outono a
escurecer.
Bem na volta lhe
tomam de assalto
Cercado, não tem
aonde ir,
Numa armadilha concreta
de asfalto
Olham e passam sem
ninguém sorrir.
Dali em diante
retorna ao lar
Escoltado por um
amigo a latir
E se contenta com um
simples olhar
Temeroso do direito
de ir e vir.
Já na cozinha, fita
seu amigo cão
Uma xícara de café,
um pão torrado.
Desejando açúcar,
adoçante ou emoção
Mas não consegue morder
o próprio rabo.
Mm.
Manaus, Mar. 31,
2013.

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