E para finalizar esse ano, que enfim, por bem, não voltará.
Tem um sistema, mas ele é falho. E por que falha? Por causa de uma simples peça, uma maldita engrenagem, e esta corrompe todo o sistema. Uma máquina. Veja bem, se fosse orgânico, seria um câncer, que apodrece algum órgão vital, falência do corpo, ou então uma maçã estragada e que traz a desgraça para suas irmãs de cesto. Qual seria a medida necessária? Trocar a engrenagem, extirpar o câncer, jogar fora a maçã podre.
A maçã que estraga o cesto sou eu e habito nesse organismo como um câncer, é maligno, mas não visto e, entretanto vem à tona e torna-se temido se ainda habitado e torna-se maldito, porém benquisto fora do organismo deteriorado, bem como a engrenagem que danifica o sistema e que é retirada como uma peça bastante substituível, assim sou eu... Esse sou eu, em carne, osso e coração.
– Jogue a maçã podre fora, ela pode estragar de fato todo o cesto!
Todo o mal que havia em ti ágora já não há, porque eu como câncer – e isso desde o batismo das estrelas e a aura das constelações – e assim sou, fui extirpado. Já não faço mal, não posso fazer mal, a não ser a mim mesmo e só depende de mim. Agora como câncer extirpado, consumirei em mim mesmo toda a maldade que antes fazia a outrem e remoerei todo esse mal pra que eu mesmo sofra tudo o que fiz de mal enfim. E consumirei a mim mesmo, até que não tenha mais o que putrefazer, nesse estado letárgico ao qual me encontro dentro desse quadro patológico vulgar, velho e cansado, de queimar em si, como meu próprio estômago em chamas depois de certos exageros. E consumirei a mim mesmo, de tal forma, até que Tânatos venha me beijar.
Mm.

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