sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ícaro violado


Eu voava, e sonhava
Antes dos adventos dessa era.
Era forte, tinha asas fortes
Pairava por aí, tinha sorte.

Era o que eu pensava.
E o mantinha com toda certeza.

Em seguida percebi
Que não voava sozinho
Tinha alguém, me segurava
Sozinho eu não sonhava.

De repente algo se perdeu
Não havia quem me segurasse.

Em queda livre
Nunca tive o dom das asas
Mas descobri por que voava:
Era um anjo que me levava.

Era o que eu pensava
E o mantinha com toda certeza
Com o tempo algo se perdeu
Não mais havia quem me segurava.

Tornei-me pesado demais
E meu anjo já não tinha forças
Soltou-me. Eu não queria vê-lo cair
Mas fui eu quem o fiz assim, destruí.

Como o Ícaro, violado
Assim o fiz, roubei-lhe as asas
Mas não sei voar sozinho
Caí na floresta de espinhos.

E agora dentre espinhos eu vago
Sem ter alguém por perto
Sozinho, não sei e nem tenho aonde ir,
Sozinho, eu sei que não vou conseguir.
Mm.

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