terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os pássaros


Vê aquele ser,
Muitas vezes tido como insignificante,
Repousando no fio?
Ali mora um grande perigo
Entretanto tal perigo ele desconhece.

Queria ser como ele
Não ter consciência
Agir por instinto, sem ferir ninguém
E quem sabe, em algumas ocasiões,
Ser até admirado:
– “Nossa! Ele pode voar, é livre
            Eu bem que queria, eu poderia
            Não posso!”

E depois voar, sem ser notado
Ou sendo admirado
E não ter quem sentisse minha falta
Assim como o pássaro
Que acabei de ver.

Quem sente a falta dele?
Algo o fez livre
Ele não precisa, realmente
Ter quem sinta sua falta.

Eu bem que queria
Estar aqui ou ali
Da forma que me conviesse
Sem ser percebido ou dado falta.
Querer não é poder.

Mas um dia desses eu saio
Saio pra voar, pelo caminho mais belo
Assim como meus queridos e adorados,
Os pássaros, almejando ser como tal.

É, um dia desses eu saio pra voar
Está decidido
E dessa vez não sei se vou voltar.

Desde já, deixo um cordial adeus,
Um abraço apertado,
Um beijo apaixonado,
Já que não sou um pássaro
Que se despede sem nada dizer.

Adeus e obrigado
Por tudo, fique bem.
Mm.

Um comentário:

  1. Queria eu poder voar. Como um albatroz solitário somente agindo por instinto. É um sonho. É meu sonho não fazer falta a ninguém. É meu sonho não sentir falta de ninguém. À liberdade, um brinde. À nós, a vida, esse grande conjunto de ferimentos mordazes. Esse escárnio cintilante dilacerando nossa carne, enevoando nossos olhos.
    Um brinde a nós, que fazemos falta àqueles que não sabem nos amar.
    Um adeus a você, meu grande amigo, por mais que me faça falta.

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