Tal o desespero, que aflige aquele que perdeu o ente querido, e a euforia dos vermes que decompõem mais um corpo, morto está o suspiro e o disparar do coração. Todavia, bem como onde há luz também há sombra, onde habita a morte, lá está a vida e, com a putrefação do coração — em toda a sua representação — o cérebro ainda funciona, já que este fenece por último, atingindo uma avidez que em certa medida impressiona.
Pouco
a pouco a noção de vida retorna como o despertar preguiçoso de um sono profundo
e a sentença escrita se faz presente. Seria possível viver sem coração? Isto,
aqui, não cabe. E ao despertar de um sono profundo que beirou a morte, através
de eloqüentes viagens por quantos e tantos paraísos oníricos, cá está o senso,
o bom.
Quanto
ao coração? Este é apenas uma bomba, que bombeia e explode, e que também está a
mercê do desarme, como aqui, entre reflexões, eu o encontro, desarmado.
Armadilha desfeita, pronto, qualquer paixão me diverte.
Mm.
Manaus, Jan. 13, 2013.

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