Antes
de tudo, vale ressaltar que, um dia todos nós feneceremos assim como a flor
arrancada por amor, como a lágrima que exala torpor. O tempo é implacável.
Egoísmo seria querer viver para sempre? Egoísta como bom filho único que sou,
tenho minhas dúvidas ainda, entretanto, jamais aspirei à divindade do infinito;
jamais tomei o bálsamo como perfume que me tornasse intocável a ação do tempo.
É bem verdade que gostaria que certas pessoas vivessem um pouco mais – e com o
passar do tempo podemos pensar nisso – como posso dizer de Hobsbawm, Tolkien,
Borges, e daqui pra frente o próprio Proust (existem coisas que seduzem a
primeira vista e que se tornam deslumbrantes com o passar de algumas páginas).
Grandes produções, grandes deleites. Eles se foram. Todos nós iremos, e fico
convencido de que certas pessoas parecem ignorar tal sentença. Nada detém a
inexorável marcha do tempo.
Você não pode transgredir a lei moral de deus sem que alguém pague o preço. Bem, tenho a consciência limpa de que eu pago o que eu consumo. Fumo? Sim. Bebo? Também. Transo? Assim como qualquer ser humano. Esperar é uma questão de tempo e cada um tem o seu próprio, ou pelo menos o faz. A lentidão do processo de alguns não dá o direito, que alguns insistem em querer ter, de me discriminarem a partilhar de tal calmaria.
Você não pode transgredir a lei moral de deus sem que alguém pague o preço. Bem, tenho a consciência limpa de que eu pago o que eu consumo. Fumo? Sim. Bebo? Também. Transo? Assim como qualquer ser humano. Esperar é uma questão de tempo e cada um tem o seu próprio, ou pelo menos o faz. A lentidão do processo de alguns não dá o direito, que alguns insistem em querer ter, de me discriminarem a partilhar de tal calmaria.
Pessoas
almejam o bem, umas das outras, dentro de uma relação afetiva de qualquer
natureza, eu sei, e estou bem. Todavia, existem inúmeras coisas nocivas a vida
do homem e da mesma forma são feitas a vontade, adoecendo, matando. Então me
pergunto: O que é um cigarro? O que é uma dose de uísque? Isso não é apologia,
é opinião.
Jamais
desejei vaga em qualquer altar. Isto é lugar pra “santo”, e pra mim, é pouco!
Essas imagens quebram ao cair, são pífias. Essas representações também
desmancham no ar. Isso me torna menos humano? Creio que não. Então para que
esses olhos de loucura? Sempre as mesmas desculpas. “Ah, ele é muito gordo, tem
que se cuidar senão não vai ter ninguém!”; “Ah, ele fuma demais, tem que se
cuidar senão não vai ter ninguém!”; “Ah, ele tem barba demais, tem que se
cuidar senão não vai ter ninguém!”; “Ah, ele tem cara de chapado, tem que se
cuidar senão não vai ter ninguém!”; “Ah, ele é debochado demais, tem que se
cuidar senão não vai ter ninguém!”; “Ah, ele é marginal, tem que se cuidar
senão não vai ter ninguém!”. Ora, pois, quem inventou que ter alguém ao lado é
atestado de bom estado de espírito e/ou felicidade? Mania de auto-afirmação!
A
propósito, marginal? Claro! E isso me soa como elogio. Com tantas desculpas
estúpidas me marginalizando, eu como adoro dar motivos para que os outros falem,
fiz questão de estar à margem do processo medíocre no qual vejo inúmeras
pessoas se atropelando para participar. Foi legitimado. Eu não peço aceitação
de ninguém, apenas entendimento, principalmente do processo histórico, da
construção do sujeito histórico enquanto indivíduo. É simples, e alguns muito
próximos sabem de tal simplicidade (ou deveriam saber).
Quer
me tomar como objeto de estudo? Ah, claro que pode desde que entenda pelo menos
a relação sujeito/objeto e como a tal relação se constrói. Há quem pense que
estou sozinho, e eu proclamo que não, não estou. Enganam-se perfeitamente os
que pensam que não estamos bem encaminhados.
Ninguém
vai me dizer o que sentir, e digo e repito: eu amo quem eu quiser!
Um
dia todo mundo morre. E eu? Ah, eu vou parar de fumar, de beber, de foder, de
sorrir, de viver, afinal um dia todo mundo vai morrer mesmo. Mas tal sentença
não requer pânico porque o funeral deste que vos fala está marcado para amanhã
de manhã. Ano novo... Vida nova!
Mm.
Manaus, Jan. 1, 2013.

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